quarta-feira, novembro 26, 2008

Oh Lord, won't you buy me a Mercedez Benz?

quarta-feira, novembro 19, 2008



Luana Piovani


Longe de mim fazer alguma defesa à essa moça ou ao Dado Dolabella, mas diante das notícias escandalosas (que confesso me tiraram várias risadas) eu comecei a pensar em uma coisa: Pra que lado o mundo nos leva?

Eu me pergunto isso pois eu adorava comprar os velhos cadernos da tilibra que tivesse fotos da Luana ou da Ana Paula Arósio. Achava Luana linda, olhar devorador, sorriso inocente. Todos aqueles complementos que ela achou que Caetano fez pra ela, eu concordava. E nem sou Caetano.

Comemorei a entrada da moça na tv brasileira. Minha musa saia das capas dos meus cadernos para eu assistir todo dia na tv. Não perdia um dia de "Quatro por quatro" esperando ver Luana de biquini (tamanho feitiche de biquini, só com Malu Mader em "Top Model"). Fui assistir "Os Três Mosqueteiros", época das vacas magras, mas meu tio foi e resolveu me levar junto. Cheguei cedo pra ver se conseguia bater uma foto com a Musa. Antipática, ríspida, apressada.O sacrifício não valera a pena.

Então logo depois Luana surtou. Despirocou. Frases de efeitos para chamar atenção, grosserias, falta de educação com o público...

Então eu me pergunto, foi o mundo que mudou a moça bonita das minhas capas de caderno?

terça-feira, novembro 11, 2008

Passional, completamente



Isso eu já sabia, óbvio.

Mas é completamente diferente quando passamos a ter consciência disso. Na verdade, e quero dizer que é uma daquelas verdades doídas, dói mesmo quando assumimos isso.

Eu sou um ser passional, completamente.

Eu amo ao extremo e odeio ao extremo também. Sou amigo ao extremo, não sou homem de meias verdades e nem de minhas verdades. Embora apele para ao lado racional para analisar fatos (como todos bem sabem, contra fatos não há argumentos). Mas meu racional não é tão equilibrado, ele pende na balança para um coração frouxo. Mas bem frouxo mesmo, daqueles que parecem palpitar em qualquer compasso e não possuem um ritmo compassado.

Mas esse coração frouxo não acha, possui certezas. E talvez seja por isso que se magoa tão fácil. Ou deixa-se magoar, vai saber!

E se eu pudesse escolher ser menos passional, mais racional sabe o que eu diria? Nem!! Eu quero ter certeza do que eu sinto e gosto que as pessoas saibam o que sinto por elas.

Ser completamente passional é não viver pela metade, é viver no limite.
“Querida mãe, o que é que se perde ao passar das fronteiras? Tudo é dividido pela metade. De um lado, saudade do que ficou para trás, de outro, entusiasmo por entrar em terras novas.”
[Ernesto Che Guevara - Diários de Motocicleta]

Separados


Eu não sei se posso comentar aqui esse romance. É aquela coisa que eu tenho de não expor os outros. A minha vida, expor à mim, é uma coisa, mas os outros eu não tenho direito, não é? Eu acho que teria que pedir uma autorização formal, quiçá ter que revelar que esse blog existe para um punhado de gente que o ignora (apesar de ser tão fácil saber que "reinodeasgard' só pode ser meu mesmo). Mas vou simplificar a história.

O primeiro beijo. Sim, o primeiro de todos. Eu nem sabia se devia mexer a língua. Passava "Uma Secretária de Futuro" na tela grande, e os peitos da Melanie Griffith (que naquela época era gostosa bagaray) tinham acabado de aparecer na tela.

Passou uma vida até o segundo beijo. Não o segundo de todos, mas o segundo com ela. E passou uma vida mesmo. M-E-S-M-O, para se ter bem ênfase.

Eu não a amo. Francamente, é horrível dizer isso, mas meu coração pertence à menina de Maceió, mesmo a gente não tendo trocado mais que três frases durante um ano. E esse post não é pra falar da moça com sardas, mas sim da de franjinha. Pois bem, eu não a amo. Não amo mas poderia passar uma vida juntos, ter filhos, um cachorro e uma casa com piscina. O quanto ela é meiga, dedicada, atenciosa e radiante. Existe um brilho que emana dela que eu não sei se é de uma inocência ou de uma vontade que existe nela em ser feliz. Transcende. Me devora.

O quanto é legal fazer hora com a cara dela e ela fazer aquela carinha de raiva com vontade de rir e soltar um "ô Jota". Ela me diverte, me faz esquecer de algumas coisas. Eu poderia me apaixonar, sabia? Escrever e-mails bobinhos e um pouco assanhados. Postar fotos juntos, fazer montagens no computador. Programar passagens e milhas. Assar um bolo.

Não devo. Apesar de tudo isso eu a acho perdida, vaga. Parece estar em busca do príncipe encantado de armadura reluzente montando em um cavalo branco. Parece que sua vida recomeçou aos 17, mesmo tendo 30 e poucos.

Eu não posso ser esse príncipe. Não consigo. Eu também estou na torre esperando ser salvo.

É foda ter consciência disso.

segunda-feira, novembro 10, 2008


True Blood

Se vocês gostam de vampiros e putaria: assistam.
O melhor final de semana com uma verdadeira maratona de 10 episódios quase que initerruptos.

Sempre o culpado

Não importa quando, nem quem e nem como, a primeira pedra está lá. O intransigente, o rude, o grosso. Todos nós temos que ter uma visão maior do mundo e saber quando estamos errados. 
Pra ajudar está lá. O colo amigo, o ombro, os ouvidos, o abraço apertado e a opinião sincera.
Pra ser otário está lá. Me ajude, me socorre, me escuta.
Pode parcer presunção dizer que estive errado poucas vezes, mas eu sempre vou poder dizer em que todas as vezes em que estive (e muitas sem estar também), eu reconheci. Faz parte do lema de que sempre acreditei em segundas chances.
Chega. Não tô nesse mundo pra ser pedinte. E embora eu tenha muito medo da solidão, é melhor trabalhar a cabeça com a idéia de que estar sozinho não quer dizer não ter ninguém no mundo.

sexta-feira, novembro 07, 2008


Rehab


Todo mundo sabe a grande diferença da mídia londrina para a nossa. Enquanto no país onde costuma-se tomar chá as 17h em ponto todo e qualquer deslize é manchete de tablóides, os brasileiros orgulham-se (?) de dizer que tem uma imprensa "limpa".

Cláudia Abreu que tem razão quando expôs que a imprensa (sim, a nossa) adora bater foto dos famosos pagando mico. Deviam informar à todos que a graça acabou. Não é interessante e nem engraçado ver um artista sendo humano. Eu quero sim o brilho da ribalta, é isso o que os torna tão especiais.

Veja o site da Globo.com. Todo santo dia tem notícias da Amy Winehouse bêbada, drogada, às quedas, socando alguém. Gente, isso não é notícia, é perversão! Alguém tem que acudir essa moça. Um talento desperdiçado, jogado fora porque não sabe lidar com os interesses da fama.

Parem de bater fotos da Amy! Parem de expô-la ao ridículo. Dêem força para ela, façam campanha. Acreditem nela! É demais pedir que salvem uma vida? Ou mais, que salvem um grande talento?

Será que ninguém tem consciência disso? Que todos são culpados pelo estado dela? Aliás, desculpe-me: todos SOMOS.

É muito triste ver que ninguém se importa mais com os outros. A ordem do mundo é lucrar e, daqui a pouco, será real em anúncio vermos alguém vendendo a mãe, um rim, o coração, as córneas... Cresçam, mas ao aparecer saibam que existe um limiar entre o furo de reportagem e a maldade.

domingo, outubro 19, 2008




Tirando as teias de aranha.




Estive ausente muito tempo. E quem fica ausente, quando chega tem que colocar ordem na casa, meu único consolo é que ninguém se apossou dela.
Muita coisa aconteceu para eu ter saco de colocar aqui o tin tin por tin tin. Posso enumerar e depois partir do zero?

1) A menina de Maceió: chutou minha bunda tão longe e tão forte que meu cabelo caiu. Sério mesmo, uma mecha enorme e considerável do meu cabelo. O legal é que voltou a crescer. Fiz uma bateria de exames, fiquei super aflito, mas deu tudo certo. Tô sem paquera, e pela primeira vez em muito tempo sozinho não me sinto feliz com isso. Estranho né? Talvez seja a necessidade de me amarrar, criar meus próprios laços.
2) O emprego novo: Bem, nem é tão novo assim pois eu já tô nele faz um ano e meio. Tô amando de verdade. Além de trabalhar com uma de minhas melhores amigas, minha chefe é uma pessoa muito bacana e reconhece meu trabalho, com direito a aumento e uma semaninha de férias por bons préstimos. Agradeço a Deus todos os dias por sempre ter tido chefes legais. Me empenho o máximo e embora seja muita canseira em um ritmo muito louco hoje eu posso abrir a boca e dizer: Nossa, como eu AMO Publicidade. É realmente uma cachaça.
3) João André: Eu tenho que agradecer todos os dias os meus compadres por ter me dado essa dádiva. Não tem preço ouvir um "tio João eu te amo" assim, de graça, de supetão e do nada. Amem seus afilhados, façam tudo por eles, eles são um presente que pessoas que te amam fizeram por você.
4) Vovó: Ela se foi em setembro do ano passado. Muito injusto o sofrimento que ela passou, mas vovó foi muito guerreira, nunca a ouvi reclamar de dor. Agora ficamos na saudade. A mudança nos ajudou a superar mais, a não vivenciar aquele vazio que ia ficar no apartamento.
5) Dino: Dininho também se foi, depois de 17 anos sendo meu consolo, meu amigo, meu conforto. Tenho tanta saudade daquele preto e só peço que se cachorro tiver mesmo alma, que eu o encontre um dia.

Então pronto, amanhã eu posso começar do zero? Prometo que de vez e quando eu dou uma pincelada sobre tudo o que aconteceu nesse tempo.
Saludos!

Ah, essa fotenha fui eu que bati. Me viciei em macro, culpa da Annya.

sábado, agosto 11, 2007


Devaneios
Não sei se alguém sabe, ou se já expliquei aqui, a forma que minha mente funciona. Pode nem ser a minha, mas como não sou telepata, não posso nem ter vaga idéia do que se passa na cabeça alheia. Minha mente não para de pensar um minuto, o tempo todo eu estou fazendo duas coisas ao memso tempo, e isso é tão excitante e frustrante ao mesmo tempo.
Por isso que tenho vários "achismos" com teorias nem sempre tão malucas sobre o comportamento alheio e como ocorreram fatos em que eu não estava presente.
E tem várias coisas processando e re-processando na minha mente. É o novo emprego, que me gera felicidade, expectativa e também - embora eu só esteja há 10 dias - uma cobrança minha de que o tempo passe rápido e eu possa realizar mais coisas em tempo hábil e cresça. Acho que são os 30 que me dão esse tipo de cobrança.
É o apadrinhamento do João André que não me traz só felicidade, mas um desejo louco e incontrolável de ser pai, e como bom geminiano... vocês sabem, quero pra logo! hehehee - Mas juro que é muito bacana quando o pego nos braços e ele ri pra mim de graça, sem precisar fazer esforço. É uma sensação de que se é querido, por aquela criaturinha que só tem isso na mente: o que ele gosta e o que ele não gosta.
E tem ela, a menina de Maceió. A mulher, a garota, a menina que prende meu coração que anseia por liberdade. E eu espero muito poder me libertar, ou juntos ou sozinho, mas sem esse peso no meu coração.
Ela, alías, é a única coisa que falta hoje na minha vida para eu dizer que estou feliz. Que estou vivendo um sonho idílico onde as coisas me favorecem, mas na verdade é muito gostoso saber que é a colheita de todas as sementes que plantei.
Será que a lei da atração funciona mesmo? :)
E minha mente anda se perdendo nesses devaneios, em busca de certeza, repassando todos os achismos...

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Este ano quero paz no meu coração
Quem quiser ter um amigo
Que me dê a mão
O tempo passa
E com ele caminhamos todos juntos
Sem parar
Nossos passos pelo chão
Vão Ficar
Marcas do que se foi
Sonhos que vamos ter
Como todo dia nasce
Novo em cada amanhecer

sábado, dezembro 23, 2006


Feliz Natal
Queridos,
Lembrem que o Natal representa muito mais que pães doces e vinho. Muito mais que música e ceia.
Para muitos o Natal representa lamento. Saudade.
Mas mesmo assim é época de celebrar, de desejar que o mundo torne-se um lugar melhor, cheio de cores e formas. De amores, de abraços calorosos e sorrisos sinceros.
De amigos tão família e de família tão amigos.
O Natal para mim é tudo isso: alegria e lamento. Mas me esforço para que sempre tenha cores e formas. Abraços calorosos e sorrisos sinceros.
É quando sinto mais falta do meu pai e de outras pessoas que amo profundamente e já se foram. Família e amigos. Esforço-me tanto, as vezes um esforço tão hercúleo que chega a doer os tendões para que meu Natal continue a ter cores.
É um esforço que vale a pena, pois nessa época o tecido que cobre o céu parece que se rasga, deixando que a magia entre em nossos corações. Natal é uma época mágica, façam suas preces. Agradeçam a Deus por poderem afagar os entes queridos e chamá-los de amigos.
Que Deus abençoe todos vocês hoje, e sempre.

Meu cartão de Natal:
http://www.elfyourself.com/?userid=1981175c13a1846a9b810c7G06122312

podem abrir, o único vírus presente é o da alegria!

sexta-feira, dezembro 15, 2006


Razão & Sentimento

Sabe uma coisa que é super fácil?
Se magoar com o que os outros dizem. É pêi bufo!
E não é porque a pessoa tenha pensado em dizer justo aquilo pra te magoar, é porque a palavra veio errada em uma hora mais errada ainda.
Não adianta ninguem, nem mesmo você, dizer que não existem motivos reais para se magoar. Ou ao menos que existem motivos. Razão é diferente de sentimento.
Mesmo que sua mente racionalize a coisa toda, acredite, se for para você sentir diferente... você sentirá. E o sentimento faz com que qualquer racionalização, que explica que o que está sentindo é errado/imoral/devaneio/loucura, não funcione. Você sentiu diferente, e pronto.
Foi uma palavra errada, um olhar torto, um chamego de mãos não dado.
Foi esperar um prêmio e não receber.
É dar-se e não receber nada em troca.
Ora pois, dirão alguns, na vida a gente tem que fazer sem esperar nada em troca.
Correto, corretíssimo. Mas é ai que vem a questão da sentimentalização, que sobrepõe qualquer racionalização.
É não conseguir usar a máscara de que és feliz.
É sentir-se sozinho.
Sozinho.

sábado, novembro 25, 2006


Ó, Maceió, você roubou meu coração.

Estive viajando, sai de Fortaleza para ir até a capital alagoana participar da formatura de uma pessoa que quero muito bem. A moça em questão foi caso de amor a primeira vista, e como éramos amigos nunca tive coragem de me declarar pra ela, acompanhei todos os seus namoros em um sofrimento mudo. Participamos de todos os momentos juntos, mesmo eu calando aquele sentimento que existia comigo. Existia um quê de dependência de minha parte pra dela, eu nunca conseguia ter raiva dela, não conseguia me estressar perto dela, sua risada parecia expelir algum feromônio que aquietava a fera.
Eu passei no vestibular e ela persisitiu no cursinho por mais 3 anos. Todas as pessoas diziam que ela desisitisse, que seguisse adiante, tentasse um outro curso. Eu mesmo cheguei a conversar com ela, dizendo que não desisitisse, mas fizesse outro curso durante um semestre apenas para sair daquele ritmo acelerado de estudo e não se cobrar tanto. Ela persistiu, até que conseguiu. Acho que foi uma notícia que me deixou muito feliz e triste ao mesmo tempo, afinal ela iria realizar seu sonho, mas seria longe de mim. Como eu iria participar de sua vida? Como eu iria poder escutar sua risada no meio da tarde? Como, eu poderia me questionar, iria continuar sendo amigo de uma pessoa que na verdade eu sequer conhecia?
Morar em outra capital foi uma dor muito grande pra mim, eu sabia que perderia muito de sua convivência e não ouviria mais aquela risada, que é a única coisa capaz de me deixar tranquilo. Por pior que eu estivesse, por maior que fosse o meu problema, se eu ouvisse a risada dela, eu relaxava. Ela tinha esse dom sobre mim, de me deixar em outra órbita e sentir que os problemas seriam de fácil resolução. Eu ficava com cara de bobo e esquecia de me levar a sério. Aliás, essa é a maior grandeza da família Ferreira, tão sempre cheios de piadas entre si que parecem deixar o ambiente mais leve.
Nunca nos beijamos, nunca dormimos juntos e nunca dividimos nenhuma intimidade. Eu passava horas em sua casa, sentados um do lado do outro naquele maravilhoso sofá ouvindo o barulho da água na fonte em conversas intermináveis (mais da minha parte, claro. Não acho que exista silêncio que não possa ser quebrado com uma conversa fútil). Ela nunca falava dos namorados pra mim, nem alegrias e nem problemas. Talvez por isso eu tenha em mim a sensação de que ela está me guardando (eu sei que isso não é legal). Também na época em que ela passou no vestibular, e rolou um climinha entre a gente, ela havia me dito que não teria coragem de namorar a distância. Eu entendi o recado e gentilmente saí de cena. Esse foi um dos dias mais frustrantes, pois eu tinha certeza de que ela me beijaria de volta. Eu já havia feito em minha cabeça planos de viagens, dinheiro que seria guardado e meu coração já esboçava um largo sorriso.
Em Alagoas ela começou a namorar com um cara, e escondeu isso de mim. Fiquei super chateado, é verdade. Aquela sensação de que ela estava me guardando me fez ter muita raiva dela. Afinal, pq eu não deveria ser merecedor de uma tentativa? Propus a mim mesmo me distanciar dela e de sua família, por qual eu também era apaixonado. Não fui buscá-la no aeroporto naquele final de ano, não passei em sua casa nas comemorações de Natal e nas vésperas do reveillon fui grosseiro com ela pelo telefone dizendo que não poderia vê-la.
Alguns minutos depois ela apareceu no meu prédio, me abraçou e brincou, como sempre fazia em meio de sua risada se eu ia passar um ano sem vê-la. Desconversei, e fui com ela para sua casa onde me diverti horrores com seus pais, tios, primos e irmão regados a fondue e jogos. Na volta daquele dia, embora eu quisesse beijá-la, aninhá-la em meu peito e aninhar-me em seu colo, eu criei em mim a conformação de que seríamos amigos, para sempre. Ela me alegrava, me fazia sentir improtante e eu sentia, mais do que qualquer coisa, que era valorizado por aquela família.
Sabia que um afastamento seria natural e que era melhor para mim seguir adiante. Não iria mais a casa dela em sua ausência, nem telefonaria para seus pais para um bate-papo descompromissado. A única coisa que resistira era os encontros nas baladas da noite com seu irmão, que claro, eu sempre o cumprimentava.
Segui minha vida. Gostei de outras meninas, mas nunca com tanta intensidade. Minha vida parecia estar se ajeitando, e eu estava determinado com isso. Um dia me ligam de manhã e me informam que o irmão dela havia morrido. Fiquei em choque, não poderia acreditar que aquele garoto tão alegre teria tido coragem de saltar pela janela rumo ao vazio.
Fui buscá-la no aeroporto, ela nada sabia, pensava que seu irmão mais novo tinha sofrido apenas um acidente. Eu sabia que na hora que ela me visse junto aos seus pais no aeroporto a história do acidente seria apenas para que ela fizesse uma viagem tranquila. Mal chorei naquele dia em que fiquei acordado quase 48hs. Fui presença constante de sua família naqueles dias de velório e enterro. Eu não poderia jamais me afastar novamente daquela família que eu amava tanto, eles iam precisar de um ombro amigo, principalmente quando ela tivesse que retornar para Alagoas.

Quando voltei pra casa, com aquele pesar de cansaço e sofrimento mal deitei na cama, adormeci. Não passei nem 15 minutos adormecido e acordei aos prantos, não conseguia falar, respirar direito, só chorar. Chorei muito naquela noite, na minha cabeça passavam as imagens, o pensamento de como aquela família tão amorosa iria sobreviver aquele baque e mais ainda, o que eu poderia fazer para ajudá-los. Até hoje eu não consigo lembrar daquele dia sem sentir minha respiração pesar. E até hoje é difícil entrar naquela casa e não ver aquele moleque brincalhão.
Passei meses sem sair de casa, minha vida era trabalho, faculdade e visitas diárias aos pais dela. Almoçava com a mãe dela quase todos os dias ou um café da tarde. No final de semana ligava, dava uma aparecida para um bate-papo. Minha visita era longa tanto quanto precisasse e tão curta quanto fosse necessária. Ela, apesar de seu sorriso e doçura é uma pesoa trancada. Raras foram as vezes que eu a ouvi lamentar ou chorar. Um dia ela me ligou e agradeceu por tudo que eu fizera até então pelos pais dela. Eu quis dizer que eu fazia aquilo por eles e não só por ela, pois eu sabia que ela tinha certeza de meu amor, mas não achei necessidade. Ela sabia que o que eu fazia era por amor, a todos eles. Acho que foi a única vez na minha vida em que não achei necessidade de explicar meus atos, pois aquela moça sardenta me conhecia como homem e como amigo. Foi uma grande prova pra mim, também. Ali eu descobri que meu amor transcendia o interesse. Não era um duelo de cavaleiros que disputavam a princesa na torre, era apenas fazer o que eu achava certo. E tudo o que eu fiz, eu sei que foi muito e que foi importante, eu teria feito por qualquer uma das pessoas que amo, sem interesse envolvido. Eu me dei de coração à eles pelo simples fato de amá-los.
Fortificamos muito esse laço, a mãe dela me tem como um filho que Deus deu, e já disse muitas vezes que a felicidade dela seria em me ter como genro. Essas declarações não surtiram mais efeito em meu coração, eu estava em outra, determinado a seguir adiante com minha vida.
Lembro que um dia eu estava com uma paquera e amigos e liguei para ela de madrugada, ela me atendeu com a doçura de sempre e eu comecei a chorar. Não lembro direito o que falei, mas tenho certeza que disse o quanto eu lamentava não poder fazer mais. Eu sempre quis resolver os problemas do mundo.
Passei a me relacionar mais com algumas meninas e passei a vê-la como uma grande amiga. Me apaixonei por outra, estava decidido a ir embora pra Brasilia e tentar uma vida juntos. Fui para sua formatura como uma pessoa feliz em participar dessa grande conquista. No dia em que cheguei fomos todos, eu e a família dela vinda de todo o país, para uma boate. O excesso de bebida, a música e a alegria de estar ali me animaram a noite inteira. Eu era a animação em pessoa, a melhor companhia que alguém pudesse ter para se divertir, só faltava ser rico e bonito :P . Morri de ciúmes ao ver a minha outrora amada no palco dançando com o cantor da banda. Fomos para o hotel, dormi pouco e estava no outro dia ávido por mais festa.
Senti ciúmes quando soube que o ex-namorado (na verdade ex-ex-ex) deu uma jóia enorme de presente e disse que queria voltar o namoro. Tudo que eu pude fazer foi furtar o capelo que ela teria que devolver na saída da colação para que pudesse guardar de lembrança.
Senti mais ciúmes ainda quando soube que a mãe dela queria que ela voltasse com o tal cara.
A festa foi linda, a música perfeita, participei de todos os momentos, bati muitas fotos dela e fiz o meu papel de coadjuvante. A festa era dela e para ela. Seus tios, avós e mãe foram embora por volta das 3 da manhã e pensei em ir junto. Fazia dois dias que não dormia direito e estava cansado. "Não, você não vai não. Fica, por favor". Fiquei, e me diverti. Participei daquele momento como família ao lado dela, de seu pai, suas primas e tia que ainda ficaram. Sentamos, dividimos o restante das doses de Chivas e dançamos.
Quase no final da festa eu comecei a chorar, as lágrimas corriam fartas sobre meu rosto e ficou impossível de esconder, mesmo dando um passo para trás. Seu pai me abraçou, perguntou o que estava passando pela minha cabeça e pq eu estava chorando. Eu apenas respondi que nada e ele não insistiu. Sua tia veio falar comigo, me abraçou e disse que eu era um homem maravilhoso, que merecia tudo de bom que a vida podia oferecer. Eu me sentia feliz e chorei por isso. Eu estava emocionado em vê-la conquistar o seu sonho. Me lembrei de todas as vezes que fui deixá-la em aeroportos ou ônibus de excursão para desejar que fizesse boa prova, em caronas divididas para aulas e testes simulados e em quando ela me disse que havia passado. Eu chorava por aquilo, e nada mais.
No outro dia nos divertimos em uma aventura ao aeroporto em deixar seus tios e avós em cima da hora, parecendo cena de filme com gente correndo pelo aeroporto com malas nas mãos gritando para irem mais rápido. Todos embaracaram e participei até da foto oficial da família na capital alagoana, por insistência deles.
Almoçamos em um lugar lindo próximo a Maceió e ela pediu para eu voltar dirigindo. Recostou sua cabeça no meu ombro e só acordava quando eu pedia orientação. Chegamos no flat, ela passou a mexer no meu cabelo, tomamos café e torrada com geléia de amora (estou viciado, quero mais). Sentei na cama junto com sua tia e prima para conversar e ela deitou no meu colo, mexi em seu cabelo e acarinhei sua orelha até ela dormir. Tive vontade de ir me deitar no sofá cama para descansar, de ir ao banheiro, de ir a cobertura olhar o por do sol no mar de Maceió, mas fiquei ali com aquela menina sardenta em meu colo dormindo tranquila e feliz.
Foram me deixar na rodoviária, todos falaram comigo, me abraçaram e ela ficou por último. Não que eu tenha deixado ela por último de propósito, mas porque ela se deixou por último. Ela me abraçou forte e não soltava, me deu três beijos em meu pescoço e agradeceu por tudo. Naquela hora eu fiquei agradecido por existir alguém que dava valor a minha pessoa e sai sem olhar para trás, ainda inebriado pela falta de sono sem pensamentos na minha cabeça. No meio do caminho ela grita perguntando se eu sabia aonde deveria embarcar, disse que sim e fui ao ônibus.
Acomodado em meu assento passei uma mensagem para seu celular parabenizando pela conquista, dizendo que estava feliz em ver que ela tinha conseguido, que de agora em diante o sucesso seria seu caminho. Ela não costuma me mandar sms, prefere ligar a mandar mensagem, e meia hora depois meu telefone bipou, pensei que fosse de alguma outra pessoa.
"Você é muito importante para mim! Obrigada por tudo. Beijos no coração!"
Então a caixa foi aberta. Eu não sei mais o que fazer ou como agir. Eu não consigo parar de pensar nela, visualizar um futuro juntos, de lembrar o que eu pensei na primeira vez que a vi. Eu passo a desejar ela dormir no meu colo novamente, de acariciar sua orelha e de acordar e dizer "você está linda". Já pensei em milhares de coisas que devo dizer quando ela voltar definitivamente para minha cidade dia 15 de dezembro. E de tudo o que pensei é que eu devo parar de ser covarde e passar essa responsabilidade para ela. Eu devo, mais que tudo me dar essa chance. Eu mereço a chance de um relacionamento saudável.
E nem mesmo eu tenho idéia e nem consigo expressar o quanto estou feliz e preocupado. Não tenho medo da negativa, pois tenho certeza que vai dar certo, mas existe em mim uma insegurança que não sei explicar o que é. Ela me conhece, sabe quem sou, o quanto sou dedicado e amoroso, o quanto prezo o conceito de família e o quanto quero constituir uma. Temos quase 30 e já passamos da idade de ser meninos que se rendem a paixões febris.
Amor, companheirismo, lealdade.... é isso que realmente importa na vida.

Alguém consegue entender o que estou passando?

quinta-feira, setembro 21, 2006


SER humano

Supermercado, 22hs. Parada obrigatória daqui de casa se chama Pão de Açúcar, todo dia se tem algo para comprar, nem que seja um pão, um queijo, um açúcar, qualquer coisa, ams é certo que todo dia a gente tem que passar no já íntimo P.A.
Hoje foi diferente, eram as compras para o almoço de comemoração do aniversário da minha mãe. Admito que essas "paradas obrigatórias" me irritam bastante, ainda mais agora que estou trabalhando dois expedientes e tem dias que estou deveras estafado, querendo o sossego da minha cama, olhando pro tempo.
Na nossa frente estava uma senhora bem humilde e reparei que suas compras eram tão simples quanto ela: 1 sabão, 1 garrafa d'água, 1 café, 1 açúcar, 1 leite de saco, 3 mangas pequenas (daquelas bem miúdas, que se tira debaixo da mangueira e se amassa pra chupar) e 1 pacote de bolacha cream cracker. Eu estava aguardando quando a ouvi dizer para a caixa que ela só tinha R$4,90, que ela passasse o que desse. A moça passou o sabão, a água, o açúcar e o leite de saco. "Não vai dar para passar o café?", perguntou a senhora que ouviu apenas um "lamento" da atendente.
Meu olhos se encheram d'água, não é justo, meu Deus, ter gente se privando de uma alimentação que nem é básica assim. Ainda mais uma pessoa de idade. Fiz sinal, pra moça do caixa passar o que faltava das compras dela que eu pagaria. A senhora puxou os R$4,90 e estendeu para a moça que disse que o moço, no caso eu, tinha me comprometido de pagar as compras, que ela não precisava pagar nada. Eu estava ajeitando as coisas no carrinho, a velha senhora pousou a mão em minhas costas e me agradeceu.
Eu apenas sorri, assim que ela saiu as lágrimas começaram a correr pelo meu rosto, o que chamou a atenção da caixa e da empacotadora. Não venho aqui para dizerem "Oh, como o JB é nobre!", "Nossa JB, você é um super cara!"ou "JB, você é um cara super sensível", longe disso. Muito longe mesmo.
Eu venho aqui pra contar isso apenas com um intuito de um brasileiro que quer ver seu país crescer. Que não quer viver em uma redoma impenetrável da classe alta e média da sociedade, que ignora o problema do povo.
E pedir, pessoas, ajudem o próximo a não passar fome. Sejam mais humanos a cada dia, é o mínimo que nós podemos fazer pelo mundo.